Lições Bíblicas, Devocionais, Mensagem
Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

As doenças do nosso século

Lição 01 - As doenças de nosso Século



Leitura Bíblica em Classe
2 Tm 3.1-9


Introdução:

I. As doenças na área intrapessoal

II. Doenças na área social

III. Doenças na área religiosa



Conclusão:

Autor deste comentário: Esdras Costa Bentho

Título deste subsídio: Análise dos vocábulos de 2 Tm 3.1-9.

Palavras-chaves: Pecado; Vícios; Últimos dias.


 

 

Introdução

Neste novo trimestre de Lições Bíblicas, estudaremos o tema: "As doenças do nosso século – as curas que a Bíblia oferece". Estas treze lições, da pena do Pr. Wagner Tadeu dos Santos Gaby, apresentam as enfermidades pessoais, sociais e religiosas da geração pós-moderna. 

Neste primeiro subsídio, apresentaremos uma análise léxica e gramatical dos pecados que assolarão os homens nos últimos dias. Paulo não pretende esgotar o tema ao descrever os vícios presentes, uma vez que há outras listas de vícios e pecados em outras partes das epístolas paulinas, como por exemplo, Romanos 1. 26-32 (alguns deles repetidos em 2 Tm 3.1-9), 1 Tm 6.4,5, entre outras. O arranjo dos vícios, ao que parece, não segue um caráter temático, razão pela qual a Lição Bíblica classifica em temas, mas sim, literário ou retórico, usando-se, para isso, a assonância e a aliteração [1]. Infelizmente, não será possível descrever cada um dos vícios, mas esperamos que esse estudo auxilie o professor na ministração desta lição.

 Vejamos, portanto, as expressões e vocábulos gregos usados pelo autor sagrado ao transmitir a revelação divina.

 

Análise Léxica

A análise léxica ou léxico-sintática é uma excelente ferramenta hermenêutica à compreensão do texto bíblico. Vejamos os termos gregos da Leitura Bíblica em Classe, fundamentado em 2 Timóteo 3.1-9 (ARC).

 

 

Versículo 1:

ü        "últimos dias", do grego eschatais hēmérais. Expressão usada para descrever tanto o final da era da Igreja como também os acontecimentos escatológicos após o arrebatamento (note o verbo no futuro indicativo "sobrevirão"). No contexto da epístola, o tempo que antecede a primeira fase da Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

ü        "tempos trabalhosos"; "tempos difíceis" (ARA); "tempos terríveis" (NVI), do grego kairoi chalepoi. Em muitas passagens o vocábulo kairós designa um tempo pré-determinado na vida humana (Gl 4.10; 6.9), e nos planos divinos (Ef 1.10; 1 Tm 4.1), mas neste texto refere-se a um tempo de crise, violento, perigoso, como descreve a palavra grega chalepós (difícil; duro, perigoso; horrendo).

    Versículo 2:

 

ü       "homens amantes de si mesmos"; "homens egoístas" (ARA/NVI), do grego anthrōpoi phílautoi. As três traduções seguem literalmente a expressão grega, uma vez que o vocábulo phílautos significa tanto egoísta, egocêntrico como também "aquele que ama a si mesmo" – trata-se de um adjetivo verbal composto (phílos e autos) Esse é o primeiro termo procedente do adjetivo phílos (devotado, amigo; amor), o próximo, ainda no versículo 2, é philárguroi (avarentos), e no versículo 4, é philēdonos (amante dos prazeres). A característica singular dos homens dos últimos dias é o egoísmo, o egocêntrismo – a principal doença do narcisista. O egoísta é exclusivista, presunçoso, vaidoso – fontes de todos os outros adjetivos maus dos últimos dias.

 

ü        "avarentos" (ARC/ARA/NVI), do grego philárguroi, adjetivo verbal composto. Literalmente "amante do dinheiro", "amante da prata" e, por extensão, avarento. Um outro termo grego que descreve o avarento nas páginas do Novo Testamento é pleonektēs, isto é, pessoa cobiçosa, avarenta, ambiciosa (1 Co 5.11; Ef 5.5), antônimo de aphilárgyros, ou seja, "não amante do dinheiro", "não avarento" (ver 1 Tm 3.3; Hb 13.5). A recomendação bíblica é que o crente se "guarde de toda e qualquer avareza" (Lc 12.15). A avareza é um pecado que se opõe à generosidade (2 Co 9.5); é obra da carne, idolatria (Cl 3.5), e um atributo dos falsos mestres e pregadores itinerantes da Palavra de Deus (2 Pe 2.3,14). O avarento é um transtorno para a sociedade, e na igreja é um estorvo.

 

ü        "presunçoso" (ARC/NVI); "jactancioso" (ARA), do grego aladzónes, isto é, "pretensioso", "pedante", "orgulhoso". Este termo fora usado por Paulo em Rm 1.30 para descrever algumas das características dos pagãos, idólatras. Segundo Rienecker é "alguém que se jacta e fica falando de suas próprias realizações e, em sua jactância, ultrapassa os limites da verdade e magnífica o fato a fim de se engrandecer, na tentativa de impressionar as pessoas" (p.477). A palavra aladzōn, no tempo de Paulo, referia-se aos "vagabundos", às pessoas de caráter perverso, impostores e fingidos. O Dr. Waldir Luz, traduz o termo aladzónes por "vangloriosos", captando maestricamente o sentido pretendido pelo autor.

 

ü        "soberbos"; "arrogantes" (ARA/NVI), do grego hyperēphanoi, ou seja, altivos, "arrogantes". A preposição hyper significa "acima de" e "além de". Trata-se de alguém que se considera acima ou superior aos outros. O pecado dos soberbos ou orgulhosos é a altivez, a arrogância, o orgulho ou como diz o Novo Testamento, hyperēphania. Segundo os sábios de Israel, a soberba produz contenda (Pv 13.12), a afronta (Pv 11.2), e a ruína (Pv 16.18). O soberbo não é suportado pelo Senhor (Sl 101.5).

 

ü        "blasfemos" (ARC/NVI); "blasfemadores" (ARA), do grego blásphēmoi, isto é, "maldizentes", "caluniador". O blasfemo, conforme o contexto do Novo Testamento, é o mentiroso, o caluniador, aquele que pronuncia um juízo difamador (2 Pe 2.11) e difama a honra alheia. O pecado de blasfêmia é o pecado da linguagem abusiva e caluniadora (Mt 12.31; 26.25; Ef 4.31). O blasfemo, como muito bem foi observado em Lições Bíblicas, procura, em vão, ultrajar a glória de Deus (Lv 24.16; Mt 12.22-32) e difamar o comportamento religioso do cristão e a doutrina bíblica (At 26.9-11; 1 Tm 6.1; Tg 2.6,7). O blasfemador comete o pecado de sacrilégio e profanação contra as coisas sagradas.

 

ü        "desobedientes a pais e mães"; "desobedientes aos pais" (ARA/NVI), do grego goneusin apeitheis, ou seja, "desobediente aos genitores". Este pecado também foi denunciado por Paulo em Romanos 1.30. Trata-se de um pecado próprio dos pagãos. O verbo apeitheō significa "ser desobediente", ou "ser desleal". Os homens dos últimos dias se tornarão, segundo Paulo, tão rebeldes e desafeiçoados que não respeitarão e serão insubordinados aos seus próprios pais. Trata-se de uma transgressão ao mandamento de Êxodo 20.12.

 

ü        "ingratos" (ARC/ARA/NVI), tradução do termo grego acháristoi, isto é, "não-agradecidos", "mal agradecidos". O vocábulo é formado pela vogal privativa "a" (não) e pelo verbo charídzomai (dar livremente), mas de acordo com o contexto "ser agradecido ou grato". Trata-se de um pecado muito comum nos dias hodiernos: a ingratidão. Este tipo de pecado é tanto religioso quanto secular. No âmbito sagrado poder referir-se ao fato de o pecador rejeitar deliberadamente o amor de Deus e o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, sendo ingrato à graça salvífica manifestada em Cristo. No aspecto secular, diz respeito à ingratidão, à falta de reconhecimento do apreço e dos favores de outrem. A ingratidão é uma doença, mas também um sério pecado social que atua em todas as áreas da vida humana.

 

ü        "profanos"; "irreverentes" (ARA); "ímpios" (NVI), do grego anósioi, isto é, "não-santos", "ímpios", "sem santidade"; procede do privativo a (não; negação) e hosiōs (santo ou devoto). Esse termo só aparece nas duas epístolas a Timóteo, neste versículo e em 1 Tm 1.9. O termo "ímpio", uma das melhores traduções para o termo anósioi, não é muito comum nas páginas do Novo Testamento, mas muito abundante no Antigo Testamento. Das cento e vinte ocorrências na ARC somente duas vezes aparece em o Novo Testamento: Rm 4.5 e 1 Pe 4.18. Nas duas passagens é a tradução do termo asebē, isto é, "não-piedoso" ou "aquele que não adora a Deus". Já o Antigo Testamento está repleto de palavras e conceitos que são traduzidos pela palavra ímpio, o que sugere que o conceito é melhor compreendido dentro do contexto do Antigo Testamento.

 

Versículo 3:

            

ü        "sem afeto natural"; "desafeiçoados" (ARA); "sem amor pela família" (NVI), do grego astorgoi – procedente do privativo a e de storgē, amor familiar ou amor de família. A NVI traduz o termo literalmente. O exegeta Rinaldo Fabris [2] traduz o termo por "incapaz de amar e de ter relações humanas" (1992: 325), estendendo o sentido literal e captando a extensão do termo e do argumento. Trata-se de um pecado que afeta a natureza moral e sentimental do homem. "Sem amor pela família" é a denúncia da frieza relacional, do caos sentimental que se instalará nos últimos dias. Geralmente, pensa-se no relacionamento dos filhos com os seus pais, mas não devemos ignorar o dos pais com os seus filhos e dos membros familiares uns com os outros: mães que abandonam os seus filhos na lixeira e que vendem seus filhos ao tráfico sexual; pais que abusam sexual e moralmente de seus filhos, entre outros hediondos pecados do relacionamento humano são contemplados nesse termo. Hoje muitos defendem os direitos dos pássaros, dos golfinhos, das tartarugas, dos bagres, das matas, mas muito pouco os direitos do feto, da criança, da vida humana.

 

ü        "irreconciliáveis" (ARC/NVI); "implacáveis" (ARA), tradução do grego aspondoi, do privativo a e de spondē (libação). No contexto do Antigo e Novo Testamentos, um tratado, geralmente, era confirmado através de uma libação ou oferta aos deuses. Lembre-se do pacto entre Deus e Abraão, firmado por meio de uma libação. Os pactuantes ofereciam um sacrifício aos deuses como forma de confirmação do acordo. Contudo, o termo aspondoi é usado de modo negativo, a fim de referir-se à quebra do acordo ou do compromisso firmado. O sacrifício também era usado com o propósito de apaziguar uma rixa, mostrando o interesse mútuo pelo perdão e pacificação da contenda. O sentido literal do termo avança de seu significado primário à compreensão de que os aspondoi rejeitariam qualquer forma de tratado ou de acordo, sendo irretratáveis e irreconciliáveis. Este pecado motiva toda forma de contenda e desavença, tornando o indivíduo incapaz de perdoar e de receber manumissão. Demonstra também o estado constante de guerra, mágoa e conflito entre os homens no final dos tempos. Crimes hediondos são cometidos por pessoas dessa estirpe maligna e, infelizmente, não poucos cristãos são vítimas desse pecado que combate a comunhão e a unidade entre os santos. 

 

ü        "caluniadores" (ARC/ARA/NVI), do grego diáboloi, cuja tradução literal é "diabos". O termo procede de dois termos gregos que juntos significam "jogar através de", com o sentido de "lançar contendas", "lançar intrigas entre as pessoas". Em o Novo Testamento, o termo além de ser usado como um nome-título de Satanás, Caluniador, Diabo, também designa àqueles que disseminam contendas e calúnias contra as amizades das pessoas, a fim de obter algum benefício com a discórdia dos sujeitos envolvidos. O caluniador é falso, ganancioso, invejoso e separa os melhores amigos. Seu objetivo é dividir, levantar suspeição entre as pessoas, os grupos, as amizades.

 

Notas

[1] ver BENTHO, Esdras C. Hermenêutica fácil e descomplicada. 8.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p.276-280.

[2] ver FABRIS, Rinaldo. As cartas de Paulo (III). São Paulo: Edições Loyola, 1992.

Para saber mais:

VINE, W.E. (et al) Dicionário Vine. 7.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

Adquira as obras do autor:

Hermenêutica fácil e descomplicada, CPAD.

A Família no Antigo Testamento, CPAD.

publicado por diaconosergiochristino às 23:54
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2 comentários:
De cursos de teologia a 18 de Outubro de 2008 às 04:41
Rico, esclarecedor e abençoado texto!!!

Continuem sempre na abundante Graça!!!
De Thiago a 20 de Outubro de 2008 às 15:25
Ótimo texto meu irmão...
Deus continue te abençoando!

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